Entrevista:O Estado inteligente

segunda-feira, setembro 24, 2012

Hoje só amanhã - MELCHIADES FILHO

FOLHA DE SÃO PAULO - 24/09


BRASÍLIA - Ninguém contribuiu mais para politizar o julgamento do mensalão do que Lula e o PT.

A oposição não tinha abraçado essa causa, seja por ter apanhado nas urnas, seja por saber que o holofote logo se voltará para o PSDB mineiro, primeiro cliente do valerioduto.

Foi Lula quem definiu como prioridade "desmontar a farsa" do mensalão ao se despedir do Planalto, quando recordes de popularidade lhe permitiriam fazer o que bem desejasse -lançar carreira internacional, sugerir novos projetos de inclusão, torcer pelo Timão etc.

Lula pressionou pessoalmente ministros do STF e, quando ficou evidente que Ricardo Lewandowski teria de entregar sua revisão e nada mais retardaria o julgamento, mandou o PT atiçar a militância e usar a CPI do Cachoeira para desviar a atenção e fustigar os adversários.

Tão logo saíram as primeiras condenações pelo esquema de desvio de recursos públicos, a direção do partido não hesitou em qualificar o STF de "instrumento golpista".

Não hesitou, também, em insultar o ministro relator, acusando-o de produzir uma "falácia" justo quando ele se preparava para tratar da participação ativa de petistas na compra de apoio parlamentar.

Cabe especular por que Lula e PT agem com o fígado. Uns dizem que eles perderam a mão. Outros, que tentam estancar prejuízos eleitorais. Mas é difícil acreditar que Lula, Zé Dirceu, Rui Falcão & Co vivam todos a mesma má fase. E nenhuma pesquisa vinculou o mau desempenho do PT nas capitais ao mensalão. Em São Paulo, por exemplo, o problema é o candidato: tem a metade do apoio do eleitor ao PT.

Resta uma hipótese. Esculacha-se o STF, o procurador-geral e a imprensa porque o mensalão é, como já disseram o delegado responsável da PF e Marcos Valério, uma teia criminosa bem maior do que a que está sob julgamento. Grita-se hoje para abafar o som do amanhã.

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