Entrevista:O Estado inteligente

sábado, outubro 18, 2008

Luxo e lixo no traço de Karim Rashid


Uma exposição em São Paulo reúne sessenta criações
do egípcio Karim Rashid – um dos designers mais
famosos e respeitados do mundo


Marcelo Marthe

Ilan Rubin
EXTRAVAGANTE
Karim Rashid: ele só se veste de branco e cor-de-rosa


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Com mais de 4 milhões de unidades vendidas em setenta países (inclusive o Brasil), a lixeira Garbino não é apenas um sucesso comercial. O utensílio da companhia canadense Umbra é considerado uma obra-prima. Lançado há doze anos, figura até no acervo de museus como o MoMA, de Nova York. Seu criador, Karim Rashid, é um dos maiores expoentes dessa atividade central da economia contemporânea – o design. Nascido no Egito, educado na Inglaterra e no Canadá e radicado em Nova York, Rashid tornou-se famoso por idealizar produtos que unem funcionalidade e certo apelo pop. Seu trabalho é tema de uma exposição que será aberta nesta quinta-feira no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. São sessenta móveis, objetos e embalagens de sua autoria, vindos do museu Die Neue Sammlung, de Munique. Rashid, de 48 anos, deverá marcar presença na inauguração. O que permitirá conferir o outro motivo pelo qual se converteu numa celebridade: ele faz de si próprio, se não uma obra de arte, como proporia o escritor Oscar Wilde, ao menos uma peça de design. Só veste ternos brancos e cor-de-rosa, ostenta óculos e relógios de pulso sempre surpreendentes e tem os braços cobertos de tatuagens. "Nossa existência é determinada, em boa medida, pelos objetos e pela arquitetura ao nosso redor. Quando os transformamos para melhor, a vida também evolui", disse ele a VEJA na semana passada. Para além do lado extravagante, Rashid é um teórico respeitado em sua área.

Nos últimos vinte anos, o design tornou-se uma disciplina central, um motor da inovação capitalista. A união de beleza e funcionalidade tornou-se fator preponderante na criação dos produtos. É o design, em boa medida, que está na raiz do sucesso de equipamentos como o iPod e o iPhone, da Apple. Karim Rashid pertence à geração de profissionais que fizeram a ponte entre a antiga noção de design (algo associado até então à idéia de produtos exclusivos e mobiliário caro) e seu significado de hoje – uma ferramenta para a criação de produtos populares que se diferenciem dos concorrentes pela elegância e vantagens de uso. Rashid desenvolveu a lixeira para a Umbra porque se constatou que faltavam artigos com um mínimo de graça e leveza nesse nicho.

Mais que uma força econômica, Rashid vê o design também como forma de expressão e até de libertação do consumidor. Com o vaso Ego, concebido para a empresa portuguesa MGlass, ele pretendeu enaltecer o poder do indivíduo na economia de mercado atual – por qualquer ângulo que se mire o objeto, vêem-se sempre duas silhuetas humanas olhando para lados opostos. Rashid é entusiasta da idéia de que os avanços tecnológicos permitirão que as pessoas tenham controle total sobre o design de tudo aquilo que consomem. Lembra que hoje, por meio da internet, já é possível obter versões personalizadas de tênis ou jeans, por exemplo. "A era digital veio para democratizar de vez o consumo. Num futuro não muito distante, as pessoas poderão até criar texturas exclusivas para os bancos de seus automóveis", diz.

Rashid batizou esse tempo dourado que vislumbra de "nutopia" (algo como "nova utopia"). "É um mundo em que tudo será belo, romântico e energético, sem banalidades ou coisas tediosas", sonha. Ele, ao menos, já vive nesse mundo cor-de-rosa. No apartamento que divide com a mulher (uma artista digital) em Nova York, tudo é copiosamente colorido e artificial. "Fiz de minha vida um laboratório criativo", afirma.

Fotos Divulgação
DUAS CARAS O vaso Ego, criado para a portuguesa MGlass: todo o poder ao consumidor

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